sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Ter hábitos de idoso aos 20 anos nem sempre é problema

Várias podem ser as explicações para isso e cada caso precisa de ser compreendido individualmente, considera Joana Singer, mestre em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Dentre os fatores que contribuem para isso, Singer cita a relação com pessoas mais velhas. É possível, por exemplo, que o indivíduo tenha aprendido, desde muito cedo, a entreter-se com familiares de idade avançada. Tal fato é comum em famílias com poucas crianças, nas quais se aprende que o entretenimento é viabilizado pela presença de adultos e por tudo que eles trazem – os seus costumes, seus gostos musicais, suas atividades favoritas.
“Há exemplos nos quais as posições se apresentam invertidas: pais que parecem mais jovens do que os seus filhos. Nesta situação, talvez os pais tenham-se constituído como um modelo fraco e, em alguns casos, negativo. Numa tentativa de ser muito diferente dos seus progenitores, esses jovens procuram agir da forma como eles gostariam que os seus pais se comportassem”, analisa a psicóloga.

Há que considerar, também, que muitas pessoas que parecem idosas tem dificuldades em relação a habilidades sociais importantes. “Comportamentos relacionados com a vida em turma e os namoricos podem ser muito pesarosos. E, aí, a apropriação de gostos e hábitos dos mais velhos apresenta-se como uma forma de escapar do confronto de situações que lhes parecem desconfortáveis”, diz Joana Singer.
Ela lembra, ainda, de outra situação: indivíduos que foram obrigados a amadurecer cedo pela necessidade de trabalhar precocemente, ou pela perda de um ou dos dois pais. “Muitos se afastarão de quem tem idade próxima porque se sentem distantes, fora do contexto, não se divertem da mesma forma, por exemplo. Aí, é provável que procurem a companhia de quem tem mais experiência e bagagem. Claro que alguns podem, apesar das grandes responsabilidades, cultivar e preservar gostos juvenis, mas não será regra geral.”

O termo jovem idoso também tem sido usado para classificar indivíduos que amadurecem muito depressa, salienta a psicóloga clínica e psicanalista Priscila Gasparini Fernandes, especialista em neuropsicologia. “São pessoas que procuram uma vida mais tranquila, sem a agitação comum dos mais novos. Preferem um bom livro ou filme ao invés de uma discoteca, pensam mais no futuro com planejamentos detalhados”.
Independentemente das razões e da forma como o indivíduo lida com isso, é importante que cada etapa da vida – infância, adolescência, juventude, maturidade – seja vivida. Mesmo nos dias de hoje, em que tais fases estão menos marcadas.

“A infância parece mais curta do que no passado, a adolescência estendida. De qualquer forma, cada ciclo ensina algo: há o momento de se desenvolver a criatividade de forma muito intensa (infância), o de experimentar a individualidade (adolescência), o de prosperar e construir projetos (vida adulta) e o de lidar com perdas frequentes e com a preocupação de deixar um legado (velhice). Vivenciar tudo isso é extrair de cada época uma trajetória única”, destaca Joana Singer.

Apesar de tais considerações, as duas terapeutas defendem que não necessariamente um jovem idoso esteja perdendo algo. Isso porque, muitas vezes, o que o motiva a agir como alguém mais velho não tem nada a ver com problemas como insegurança, baixa auto-estima e autoconfiança, melancolia.
“Há pessoas que se adaptam a um estilo de vida diferente e, dessa forma, encontram o seu grupo. Não podem ser considerados deslocados. Eles ganham com a maturidade profissional precoce, o que envolverá outras conquistas. Claro que não terão a hipótese de aprender a conviver com aqueles que envelhecerão com ele, os que têm a sua idade. Mas é uma questão de opção”, diz Singer


Via Diário Digital

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