sexta-feira, 3 de maio de 2013

O que fazer quando seu ente se comporta de forma inadequada em público? (Testemunho verídico)


Às vezes, pacientes com Alzheimer podem agir ou expressar comportamentos desafiadores em público e isto pode levar ao constrangimento. O que você pode fazer?

É muito comum para as pessoas com Doença de Alzheimer a se comportarem inadequadamente em público. E que muitas vezes deixa o cuidador constrangido.

Por exemplo, a pessoa pode tornar-se agitado e fazer cenas em público, levando as pessoas a olhar. Isto poderia incluir comportamentos como discutir em voz alta com você ou com estranhos, mesmo sobre assuntos inconseqüentes. Além disso, pacientes com Alzheimer tendem a perder seu senso de inibição e podem dizer coisas rudes para as pessoas.

Às vezes, uma pessoa que sempre demonstrou extrema educação em público pode xingar em voz alta para você ou para outras pessoas. Em outros casos, a pessoa pode fazer comentários racistas - algo que nunca teria feito antes.

Eu me tornei cuidadora do Ed Theodoru, que foi minha alma gêmea por 30 anos, quando ele desenvolveu demência. Às vezes eu ficava tão envergonhada com o que ele falava ou fazia em público, que eu realmente queria fingir que ele não estava comigo.
Ed frequentemente fazia cenas em restaurantes. Uma vez, ele reclamou com muita raiva para a garçonete que sua comida não estava quente o suficiente e fez ela levar o prato volta para a cozinha. Tenho certeza de que meu rosto ficou vermelho.
Durante o mesmo jantar, ele comentou em voz alta que na mesa ao lado a criança, que estava com seus pais, era muito alto e ele queria mudar de mesa. Os pais ouviram, mas fingi que não estávamos falando deles.
Outra vez, ele ficou muito agitado por ter que esperar mais tempo do que o habitual na sala de espera do médico. Após alguns momentos, ele se levantou e correu até recepcionista e, em voz alta, declarou que não iria esperar por mais tempo. Todos do consultório ficaram olhando para ele e eu queria me tornar invisível.

Eu fui cuidadora do Ed durante os sete anos que ele viveu com a Doença de Alzheimer. Durante esse tempo, eu desenvolvi algumas abordagens para lidar com o meu constrangimento sobre o comportamento dele.
Aqui estão alguns conselhos, com base em minha experiência:

1.     Leve o paciente para lugares, onde circulam poucas pessoas. Isto pode incluir coisas como ir para um passeio no parque em vez de ir passear no shopping. Dessa forma se o seu amado fizer alguma cena, não haverá muitas pessoas por perto para testemunhar.

2.     Convide os amigos e familiares para visitar a sua casa em vez de encontrá-los em restaurantes ou cinemas. Ed se comportava muito melhor quando estava em casa. Acho que ir a um restaurante era simplesmente muito estimulante e confuso para ele.

3.     Certa vez eu li sobre um cuidador que entregava pequenos cartões impressos com os dizeres: "Minha amada tem a doença de Alzheimer - Por favor, desculpe-me pelo seu comportamento." Este não é um dos meus métodos preferidos para lidar com o problema, eu acho que seria humilhante para a pessoa com doença de Alzheimer. Além disso, dependendo do estágio da doença que ele se encontra, ele poderá perceber o que você está fazendo e (legitimamente) tornar-se irritado e agressivo.

4.     Aqui estão alguns métodos que eu descobri que podem, às vezes, prevenir as agitações e alterações comportamentais nos lugares públicos:
·                    Não fale sobre assuntos que fazem a pessoa ficar agitada
·                    Se a pessoa começar a ficar irritada ou agitada, tente distraí-lo e mude de assunto rapidamente
·                    Concordo com o que a pessoa diz (a menos que coloque em risco sua integridade)
·                    Não discuta com a pessoa - Não tente argumentar com ele

5.     Se tudo isso falhar ou começar a não funcionar, você pode reduzir a frequência com que você levar o seu ente querido para lugares público ou, se os comportamentos ficarem muito extremos, limite para saídas essenciais, como consultas médicas.

Finalmente, tente aceitar o fato de que você não pode controlar o comportamento do seu ente querido e não é culpa dele ou sua. Perceba que você ama a pessoa, apesar dos comportamentos, que são simplesmente a manifestação da doença.


Fonte: Alzheimer's Reading Room 

Cientistas descobrem que área do cérebro controla o envelhecimento


Um estudo divulgado em artigo na revista especializada Nature, descobriu que o hipotálamo, uma região do cérebro, seria responsável por controlar o envelhecimento. Cientistas já acreditavam que o envelhecimento do corpo era “coordenado” pelo cérebro, mas não tinham provas disso, nem entendiam como o processo funcionava.

Os pesquisadores do Colégio Albert Einstein de Medicina (Nova York) descobriram que a atividade da molécula NF-κB aumenta em diversas regiões do cérebro em ratos quando eles envelhecem, em especial no hipotálamo. Essa molécula é um importante regulador da transcrição do gene e media a comunicação das células do sistema imunológico e a resposta inflamatória e já havia sido relacionada com o envelhecimento. O estudo indica que a NF-κB estimula a secreção da TNF-α, ligada à inflamação, e esta molécula, por sua vez, estimula a ativação da NF-κB no hipotálamo.

A pesquisa descobriu ainda que o aumento do nível de NF-κB inibe o gene do hormônio GnRH (que regula a liberação de hormônios esteroides sexuais). Além disso, uma maior quantidade desta substância anulou o efeito de envelhecimento e estimulou a produção de novos neurônios. Por outro lado, os esteroides sexuais em si não tiveram o mesmo efeito. A queda nos níveis destes hormônios é uma marca conhecida do envelhecimento.

O estudo sugere também – reforçando o resultado de outras pesquisas – que adversidades nas primeiras fases da vida, como negligência na infância (falta de cuidados de saúde e emotivos, por exemplo) ou privação nutricional, podem aumentar o risco de desordens relacionadas à idade nas últimas fases da vida. O pesquisadores sugerem que isso ocorreria porque o NF-κB agiria como um integrador de respostas de diferentes áreas do cérebro à situação de estresse.

“Diminuir a liberação do hipotálamo de moduladores como o GnRH para prevenir a reprodução e reduzir o crescimento pode ter sido uma vantagem evolucionária durante infecções agudas, ferimentos ou privação. Apesar de isso ter sido adaptável nos nossos ancestrais de vida curta, pode acelerar o envelhecimento em indivíduos idosos e ter ficado aparente agora que vivemos mais”, escrevem em artigo separado da revista os professores de Harvard Dana Gabuzda e Bruce A. Yankner. Segundo os cientistas, é intrigante a possibilidade levantada pela pesquisa de que a regulação do hipotálamo tenha efeitos no processo de envelhecimento e nas patologias relacionadas à idade.



Universidade para idosos tem 3,5 mil alunos em Frankfurt


Estudantes da terceira idade costumam frequentar aulas como ouvintes, mas em Frankfurt têm um espaço só para eles e, com oferta de cursos similar à das faculdades regulares, já são 3,5 mil alunos.

No auditório cheio, saltam aos olhos os muitos cabelos grisalhos, óculos nos rostos e uma ou outra careca. Nada surpreendente, já que os estudantes, nesse caso, têm todos mais de 60 anos.
Enquanto o professor fala, eles não ficam cochichando uns com os outros ou digitando nos celulares. Pelo contrário, concentrados, ouvem e fazem anotações sobre o tema da aula – a história do surgimento da filosofia ocidental.

Hartmut Bratz frequenta regularmente, há mais de dez anos, as aulas da Universidade de Frankfurt para a Terceira Idade (U3L). “Interesso-me, desde que me aposentei, por aulas expositivas, principalmente sobre literatura e Antiguidade”, diz o advogado de 74 anos, ex-funcionário de um banco.
Quando ainda exercia a profissão, Bratz tinha pouco tempo para as artes.
O mesmo acontece com outros colegas deles. Quando mais velhos, eles conseguem, enfim, se dedicar a assuntos que sempre lhes interessaram, mas para os quais tinham pouco ou nenhum tempo antes.

Departamento próprio
Na Alemanha, não há, porém, um modelo unificado de graduação para idosos. O termo “estudo na terceira idade” cobre diversos tipos de atividades acadêmicas voltadas para os mais velhos nas universidades do país. Normalmente, os estudantes da terceira idade costumam frequentar aulas como ouvintes, ao lado dos jovens.

Para ser ouvinte de uma universidade alemã, é preciso pagar uma taxa de aproximadamente 100 euros por semestre, o que inclui a permissão para frequentar diversas aulas expositivas. Não é necessário nem ao menos provar a conclusão da vertente do ensino alemã que habilita o ingresso numa universidade, pois normalmente o ouvinte não é submetido a qualquer tipo de avaliação.

A ideia de estudos universitários voltados para os mais velhos surgiu na Alemanha há cerca de 30 anos, diz Silvia Dabo-Cruz, diretora da Universidade de Frankfurt para a Terceira Idade.

“Naquela época, existiu um movimento rumo à abertura das universidades para adultos em idade mais avançada. E nós fomos uma das primeiras universidades a participar”, afirma.
Mas a Universidade Johann Wolfgang Goethe, de Frankfurt, oferece as graduações para idosos de maneira distinta de outras escolas superiores na Alemanha, pois ali os estudantes idosos dispõem de um departamento próprio.

A U3L é organizada como uma associação, quase como uma universidade dentro da universidade. Os professores de outros departamentos dão ali suas palestras, e as ofertas são tão diversas quanto o leque de cadeiras da universidade regular.

Variedade
Num semestre, há até 120 eventos voltados para a terceira idade, que vão desde temas ligados à arqueologia, passando por anatomia clínica, até história da ciência. As aulas só podem ser frequentadas por idosos, cujas atividades são completamente separadas das dos jovens.

Isso não funcionou, contudo, desde o início. No princípio, a Universidade de Frankfurt havia criado uma forma mista: os idosos podiam frequentar as aulas regulares dos diversos departamentos, embora já pudessem recorrer a determinadas atividades voltadas apenas para eles.
Mas a partir de 2005 foi introduzida na Universidade de Frankfurt essa especificidade, através da qual os idosos só podem frequentar aulas voltadas para eles. A direção da universidade quis dividir seus frequentadores entre grupos de jovens e idosos, a fim de controlar a grande demanda. Hoje em dia, há na Universidade de Frankfurt um total de 3.500 estudantes da terceira idade.


Críticas
A diretora Silvia Dabo-Cruz não vê, contudo, apenas aspectos positivos nessa segregação. Segundo ela, muitos professores reclamaram do fato de os mais velhos terem deixado de frequentar as aulas ao lado dos jovens.
“Quando uma pessoa mais velha, que morou anos na África, por exemplo, frequenta aulas de Filologia Africana, sua presença só traz benefícios”, analisa.

Uma crítica frequente às graduações de idosos é que eles poderiam estar tirando lugares nas universidades dos jovens. Entre os estudantes regulares da Universidade de Frankfurt, as opiniões se dividem, mas há os que acreditam nas vantagens da companhia dos idosos.
“Para nós, estudantes, a troca com os mais velhos pode ser interessante, pois eles têm mais experiência de vida e podem abrir perspectivas para nós”, diz uma estudante de Filologia Germânica.
Por outro lado, não é todo estudante da terceira idade que quer se misturar com a população jovem de um campus. Muitos deles preferem ficar entre si, como é o caso de Brigitte Remi, de 67 anos: “Acho agradável frequentar a U3L, porque não fico com a impressão de estar tirando lugar dos jovens. Aqui me sinto realmente bem”.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Você sabe o que é “Ageismo”?



Pessoas idosas em alguns momentos podem ser vitimas de um tipo de discriminação ainda pouco reconhecido pela maioria da população. Esta forma de preconceito não está associada ao sexo, cor ou nível socioeconômico do individuo, mas sim com sua idade.

Ageismo  (ageism) é o preconceito que atinge determinados grupos etários, e em especial os idosos. O termo cunhado em 1969 pelo psicólogo americano  Robert Butler vem sendo utilizado para descrever certas atitudes adotadas por familiares, amigos, profissionais e até mesmo pelo Estado ao se relacionarem com os idosos.

Muitas vezes, as atitudes “ageistas” não são agressivas e elas podem vir até mesmo daquela pessoa que insiste para o idoso sentar no banco do ônibus, quando na verdade ele quer ficar em pé. Também podem ocorrer em casa, quando o filho ou neto, em seguidas demonstrações de afeto, realiza todas as atividades do lar para o idoso porque “o senhor já trabalhou muito”.

Outro ambiente onde, também com boas intenções, surgem diversas práticas ageistas, é nos serviços de saúde. É relativamente comum, presenciarmos profissionais tratarem os pacientes idosos não fossem adultos e que, na maior parte das vezes, têm plenas condições de se comunicarem e responderem por si mesmos. Todos os dias vemos profissionais que infantilizam os idosos, adotando termos como “vózinha”; “meu bebê” entre outros.

Mas como podemos, mesmo que bem intencionados, não adotarmos esse tipo de prática?
Ao pensarmos na família e sociedade, qualquer mudança de comportamento é bastante complexa, por isso acreditamos que, para que o idoso seja tratado com o respeito devido, o exemplo deve vir do profissional que lida diretamente ele e sua família.

Apesar do  Brasil contar com um grande número de cursos de Medicina (150 ao todo), ainda é muito baixo o número de cursos de especialização e pós-graduação em Geriatria. Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), o país conta com pouco mais de 20 cursos de pós-graduação e apenas 61 vagas de residência na área.

Possivelmente a baixa oferta de cursos seja consequência do fato de que o envelhecimento no Brasil seja um evento relativamente novo, e com isso, o recém formado em um Curso de Medicina ainda não se sinta atraído pela área, uma vez que tem dificuldades de projetar o mercado de trabalho e as inúmeras oportunidades de ganho financeiro que poderá ter no exercício da profissão: É preciso certo amadurecimento cultural e alguma visão de mercado para se dar conta que ainda que recente no Brasil e em demais países de renda média, o envelhecimento populacional é um fenômeno acelerado e irreversível e que implica em novas demandas em diversas áreas como saúde, economia e social.

Os poucos profissionais que se interessam pela área devem abraçar a causa e lutar para que o ageismo e qualquer outro preconceito, velado ou não, não tomem conta de seus comportamento de rotina e demonstrarem para a sociedade que a velhice não é nada além do que o futuro de cada um de nós.



quarta-feira, 1 de maio de 2013

Entenda os desafios enfrentados pelos cuidadores de idosos


Especialista comenta a difícil tarefa de cuidar destes pacientes e explica como os profissionais podem cuidar da própria saúde mental.

Quem cuida de pacientes com doenças degenerativas convive diariamente com a dor e o sofrimento dos pacientes. Para isso, além de ter vocação e paciência, é preciso saber cuidar de si próprio.
A psicóloga Ângela Utinguassú dos Santos é especialista em trabalho junto a idosos com demências e tem experiência de 13 anos no ramo. Nesta entrevista, Ângela conta quais são os principais desafios desta difícil tarefa de cuidar de pacientes idosos, e o que o cuidador pode fazer pela sua própria saúde mental.

Vida — Quais são os requisitos fundamentais de um cuidador de pacientes com doenças degenerativas?
Ângela Santos — Um bom cuidador tem que se conhecer o suficiente para saber se conseguirá conviver com a dor, com o sofrimento dos pacientes de Alzheimer e demência. Saber se vai se adaptar, se terá paciência. As características são mais de personalidade do que de ferramentas. Essa parte existe para ajudar as pessoas, mas o perfil é mais importante. O que tenho percebido nas casas geriátricas e nos lares são pessoas do sexo feminino, faixa etária acima dos 30 anos, que já têm uma noção do que querem da vida. Não são pessoas oportunistas, não fazem pelo dinheiro. São pessoas que gostam de idosos. Isso é fundamental. É um caso de vocação.

Vida — O que o cuidador precisa saber sobre Alzheimer e demências?
Ângela — Nota-se atitudes fora dos padrões habituais da pessoa. Se um dia a pessoa tem comportamentos atípicos e não se dá conta, não percebe o que acontece consigo, é um indício. Ela apaga trechos do texto da sua vida. Por exemplo, diz que nunca foi casada, nunca teve filhos. Outra questão comum é a capacidade cognitiva, não consegue aprender mais nada. Lê um texto e não consegue memorizar. Busca uma palavra e não consegue lembrar. As sinapses já não acontecem fluentemente, até o ponto em que a pessoa não consegue mais se comunicar consigo e com os outros.

Vida — E como o cuidador deve cuidar de si próprio?
Ângela — Ele tem que estar presente para si em todos os momentos. Fazer exercícios físicos é fundamental. Se não pode fazer academia, faça caminhadas e exercícios aeróbicos na rua.
Psicoterapia também ajuda. Outra questão é ter uma convivência com grupos de amigos, ter alguma fonte de lazer, ir ao cinema. Muitos cuidadores são pessoas de baixo poder aquisitivo e, às vezes, não podem fazer tudo isso. Então, a saída é conviver com pessoas de bom humor, visitar, ser visitado, ter uma vida biopsicossocial e espiritual. Ter um leque de alternativas para que a vida desse cuidador possa ter um espaço reservado sempre para si.
Esse trabalho mexe muito com o emocional. Mexe com o conceito de como será nossa velhice, se faz identificações diariamente. É horrível sentir a atmosfera de finitude, a ausência de perspectiva e perdas constantes. Diante de situações de estresse, irritação, tem que parar, conversar com a equipe.

Vida — Dentro das clínicas geriátricas é comum haver espaço para os cuidadores?
Ângela — Nem todas dão espaço. Os técnicos de enfermagem acabam incorporando as atividades de cuidador. Aquele que estimula o idoso, troca, faz terapias, atividades sociais com o idoso, traz ele para a vida. São os nossos técnicos de enfermagem que estão fazendo isso. Mas muitos deles não estão a fim de fazer isso. Apenas se limitam ao procedimento padrão. Por isso, precisamos formar cuidadores. E salientar a importância de eles aprenderem a cuidar de si mesmos. É importante que os familiares também façam cursos de cuidadores, pois muitas vezes o cuidado recai sobre um filho, um neto. É importante que as famílias tenham essa consciência. Não basta colocar o ente querido nas mãos de alguém bem indicado. Nessa questão de demência e Alzheimer é preciso se informar, se munir de ferramentas. No futuro, as famílias terão de se instrumentalizar.

Vida — Esse ramo está se tornando um nicho importante de mercado, tendo em vista que as pessoas estão vivendo mais. Quanto custa, em média, para manter um idoso bem cuidado?
Ângela — Recentemente foi homologada a lei das empregadas domésticas, e o cuidador está dentro da mesma legislação. Eu vejo que cada família combina um valor de acordo com a situação. Há residências que têm enfermagem, psicoterapeuta, fisioterapeuta. O custo varia muito, mas é um trabalho caro, pode variar ente R$ 800 e R$ 1,2 mil mensais, dependendo se o cuidador dorme ou não no local, se tem formação e conhecimento, se é amigo da família. Eu luto para que esse trabalho não se torne puro negócio, como algumas geriatrias são. Mas não é fácil. Esse é um trabalho quase missionário.


Fonte: Vida Zero Hora

TJ orienta casos onde é necessário interditar idosos


A interdição de idosos, independente do motivo, é um assunto que provoca polêmica, divide opiniões, gera conflitos familiares e na maioria das vezes traz sofrimento para os dois lados.
Apesar da decisão não ser fácil, a curatela, que se dá por meio de decisão judicial, serve para proteger o interditado, preservar seu patrimônio e dar a ele melhor qualidade de vida. Em casos graves a interdição pode salvar a vida do idoso que se encontra em situação de risco.

A juíza da 1ª Vara da Família e Sucessões de Cuiabá, Ângela Gutierrez Gimenez, explica que existem pré-requisitos para solicitar a interdição do idoso. “Quando a pessoa não consegue gerir os atos da vida civil com autonomia e independência se faz necessário a interdição. Isso ocorre quando ela sofreu, por exemplo, algum tipo de acidente que a deixou impossibilitada de tomar decisões, se é portadora de doenças degenerativas ou tem algum problema de sanidade. Nessas circunstâncias é um dever da família buscar a curatela, para o próprio bem do idoso”.

Atualmente 81 processos de interdição (entre idosos e outros casos) estão tramitando na 1ª Vara. Conforme a magistrada, os pedidos de curatela tramitam com rapidez. “É uma ação prioritária, pois ela expressa o princípio da dignidade humana é preciso ter celeridade”.

Ela explica que os processos que envolvem situação de doenças ficam em correição permanente. A cada informação nova o processo é revisado, por isso a curatela é especial, pois existem casos da pessoa ficar bem e voltar a responder pelos seus atos, não precisando mais de um curador.
“Os juízes têm a obrigação legal e moral de dimensionar a limitação daquele indivíduo. O lastro da interdição é definido pelo juiz, que não pode dar uma interdição integral, ela tem que ser vista no tempo e nos fatores incapacitantes. Quando se percebe que a limitação é temporária, o magistrado tem que optar pela curatela especial, que facilita a vida do curador”, diz a juíza, completando que o curador é responsável pelo bem estar do interditado, envolvendo os aspectos físico, social e patrimonial.

Além disso, o curador tem que prestar contas, por meio de um relatório contábil, que deve ser encaminhado periodicamente (anual, semestral, trimestral) ao juiz pelo advogado ou defensor público que representa o idoso, contendo a descrição dos ganhos financeiros e despesas administradas pelo curador.

Vale destacar que é bastante comum o pedido de interdição de idosos pautado apenas na faixa etária (acima de 70 anos) e não na situação mental da pessoa. A magistrada ressalta que nenhum idoso pode ser interditado apenas por possuir idade avançada. É necessário provar a incapacidade de gerir seus atos, lembrando que todo interditado passa antes por uma perícia médica.


Dicas de Nutrição para Idosos


A qualidade de vida dos idosos está relacionada à possibilidade de se cumprir funções diárias básicas adequadamente, se sentir bem e viver de forma independente.
O envelhecimento é caracterizado por uma série de modificações fisiológicas e psicológicas que estão relacionadas, por sua vez, com alterações no estado nutricional.

A boa alimentação é uma preocupação constante também para a terceira idade, pois uma série de fatores, que enumeramos a seguir, podem causar deficiências importantes para o organismo:
Problemas odontológicos: Falta dos dentes, próteses antigas e mal ajustadas e doenças da cavidade oral e das gengivas.

Problemas de deglutição: Com dificuldade para engolir alimentos mais sólidos, devido a patologias da garganta e do esôfago.

Perda ou diminuição do paladar e do olfato (cheiro).

Problemas psico-geriátricos: Principalmente depressão, tristeza, desânimo, apatia e solidão.

Uso de muitas medicações que podem trazer muitos efeitos colaterais e perda de apetite, bem como problemas gástricos, como azia e a gastrite.

Não ter quem prepare as refeições, levando o idoso a preferir alimentos de mais fácil preparo e consumo, na maioria ricos em calorias e açúcar, pobres em vitaminas e proteínas.

No idoso com demência, o ato de alimentar-se pode ser ainda mais complicado, pois pela confusão mental e pela dificuldade de realizar até as mais simples tarefas, como "fazer seu próprio prato" e levar o garfo à boca, podem gerar estresse, cansaço para ele e para seus cuidadores.

Acrescenta-se o fato de que, com o avanço da doença, o idoso tem cada vez mais dificuldade de mastigação e de deglutição de alimentos sólidos, o que pode provocar engasgos e tosse. 
Assim, é importante o cuidador observar quando o idoso engasga ou tosse ao comer, pois poderá estar iniciando um quadro de disfagia (dificuldade de engolir), mais comum em fases mais tardias da doença de Alzheimer. 

O controle do peso do idoso é importante e deve ser feito mensalmente. Na doença de Alzheimer e nas outras patologias que cursam com demência, em fases mais avançadas, os idosos podem apresentar perda de peso, lenta e gradual, mesmo com a dieta correta e adequada. Imagine com uma dieta errada e inadequada? 
Portanto, todo o processo do ato da alimentação tem que ser bem planejado.

A seguir, reunimos algumas dicas importantes e fáceis de aprender e aplicar, para facilitar a boa interação com o idoso.

Algumas Dicas e Recomendações Nutricionais
ü A alimentação deve ser adequada e completa para atender às necessidades nutricionais;
ü Fazer de 5-6 refeições/dia de pequenos volumes, porém mais concentrada em calorias e nutrientes e bem diversificadas, para assegurar todo o aporte de vitaminas e sais minerais;
ü Cuidar da apresentação dos pratos e estimular a experimentação de novos sabores e sensações;
ü É primordial manter uma boa higiene bucal, cuidar da hidratação e da umidade da mucosa bucal e da língua;
ü Manter uma rotina e uma regularidade nos horários das refeições para minimizar as possíveis distrações (não ligar a televisão durante as refeições);
ü Utilizar utensílios adequados, como pratos que se fixem na mesa (com ventosas) e talheres de plásticos para evitar a autolesão;
ü Durante as refeições, o paciente deverá estar sentado com a inclinação correta da cabeça para favorecer a deglutição;
ü Adaptar a consistência para melhor mastigação e deglutição e evitar grumos, espinhas e cascas duras para o paciente não engasgar;
ü Beber água suficiente, principalmente para evitar os engasgos. Evitar administrá-la no período da noite e, em caso de disfagia a líquidos, usar espessantes;
ü Se houver alterações na deglutição, deve-se modificar a consistência dos alimentos sólidos e líquidos, utilizando alimentos com textura modificada e/ou espessantes (não mesclar texturas diferentes);
ü Usar temperos naturais como alho, cebola, cebolinha, cheiro verde, salsa, orégano e outros, evitando, assim, o abuso do sal;
ü Como medida de prevenção da constipação, assegurar quantidade suficiente de água, exercícios físicos regulares e alimentos ricos em fibras ou suplementos;
ü Diante de uma perda de peso, utilizar suplementos nutricionais orais e se o aporte de nutrientes for insuficiente, será necessário utilizar purês enriquecidos;
ü Os alimentos devem estar sempre em temperatura adequada, visto que, em fases mais avançadas, o paciente não consegue distinguir o quente do frio, estando mais exposto a lesões.


Fonte: Nestle