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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Dicas que os avós poderiam dar nos dias de hoje, e que talvez você dê um dia para seus netos

Apenas algumas dicas que minha avó deveria ter me dado, mas infelizmente nunca deu ..... Cacho Puebla.

O diretor de criação Chacho Puebla se perguntou quais seriam os conselhos que os avós, nos dias de hoje, dariam para seus netos.

O projeto se chama “Grandmother Tips” e foi criado por Puebla e suas irmãs. Eles juntaram algumas dicas que envolvem cenários atuais da tecnologia, com um toque de cinismo e bom humor e esse foi o resultado!

Não compre um aplicativo que tenha um logo feio


Não confie em ninguém que usa o Xing como sua principal mídia social


Não confie em tudo que você lê e vê no Wikipédia


Nunca jogue World of Warkraft, é muito, muito, muito viciante


Vimeo tem mais qualidade, mas o Youtube tem mais conteúdo


Filho, não twite apenas por twittar


Nunca deixe seu parceiro saber sua senha. Acredite em mim


Não pense que você é um fotógrafo só porque você usa Instagram


Eu não perco meu tempo no Google, é como o Facebook só que sem
os seus amigos para darem uma animada

Via IDST

domingo, 15 de setembro de 2013

Amor de 73 anos que vira canção

Homem de 96 anos compõe música para sua esposa falecida.

Em tempos de sentimentos efêmeros, uma relação conjugal sólida e verdadeira torna-se cada vez mais rara. Um desses exemplos é o de Fred Stobaugh, de 96 anos, que viu o grande amor de sua vida Lorraine (91 anos), falecer após 73 anos de casamento.

Embora não seja músico, Fred resolveu eternizar sua amada na letra da canção “Oh Sweet Lorraine”, que enviou para o concurso Green Shoes.

O autor revelou que não sabia cantar e elaborou uma carta com a história de seu amor.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Envio da Oração Pela Felicidade


Digníssimo Sr. Ricardo Fujii.
Toda caridade é uma roupa nobre que se faz vestir no corpo da humildade.
Segue abaixo, uma oração belíssima e inédita, feita com toda dedicação em sua homenagem como grande pessoa e digno profissional.
Trata-se de um belo trabalho que dará ao seu ambiente mais brilho e encantamento ainda.
Quando se ajuda quem necessita, o  coração bate de forma mais alegre e bonita.
Um grande abraço, saúde sucesso e felicidades para ti e para os teus.
Romilson Elias Ribeiro.

ORAÇÃO  PELA  FELICIDADE
Dedicada ao  digníssimo Sr.Ricardo Fujii - Casa Bonsai Recanto do Idoso  em 11-05-13                                                 

Pai divino peço agora,                                      
por minha felicidade,                                        
que eu consiga sem demora,                          
vivê-la na integridade.                                     

Que sempre a cada momento,                                 
saiba bem me controlar,
deixando o mal  pensamento,
bem longe de mim ficar.

Ó Deus santo da igualdade,
que na doença e saúde,
haja com tranquilidade,
e firmeza na atitude.

Ó monarca encantado,
que eu faça feliz  ficar,
quem tiver necessitado,
aqui ou noutro lugar.

Saúde , paz e dinheiro,
que eu saiba conciliar,
e de um modo verdadeiro,
conquiste meu bem estar.


Felicidade que encanta,
toda a arte do viver,
ó Jesus  de  mão  tão  santa,
segure-me pra  vencer.

Que eu creia,  aja e pense,
com grande dignidade,
que todo bem que convence,
faça a minha realidade.

Fazei-me ó Deus viver,
junto  da mãe humildade,
pra poder prevalecer,
com amor, fé e bondade.

Ó meu pai que o perdão,
Oração e caridade,
Vivam em meu coração,
Em prol da felicidade.

Ó Jesus dai-me a certeza,
De  viver  na dignidade,
Tendo  gestos de alteza,
Em busca da majestade.

AUTOR: ROMILSON ELIAS RIBEIRO 16-06-12 (romilsonelias@hotmail.com)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Qual o valor de uma mãe?


Pergunte a quem não tem mais a sua viva.
Creio que daria tudo o que tem para tê-la viva. Pais são importantes! Porém, mães pela ligação intrínseca com seus filhos, acabam por ganhar uma relevância significativa na vida destes.
Ame a sua mãe com todo seu amor e dê o seu melhor a ela.


terça-feira, 30 de abril de 2013

A fragilidade de envelhecer


Um dia em um Hospital Psiquiátrico em Botafogo uma mulher abatida e claramente cansada leva sua mãe, uma senhora que já beirava os 90 anos, para uma consulta.

Ela diz ao Doutor:
Minha mãe está muito idosa, não consegue andar sem minha ajuda, não pode ir ao banheiro sozinha, não tem mais o menor controle sobre nada e depende de mim até para comer.
Ela não se comporta bem com cuidadores e quer minha ajuda, mas estamos nessa situação há dois anos e preciso cuidar da minha vida e não consigo. Os médicos dizem que ela não tem nenhuma doença grave, é apenas velhice e precisa desses cuidados.
O que eu faço você pode falar e tentar tratar ela? Quero minha vida de volta, estou desesperada.

Ouvindo tudo que ela tem a dizer, o psiquiatra responde:
Senhora, desde o dia que você nasceu até, no mínimo, seus 12 anos de idade você dependia da sua mãe pra quase tudo. Passou pela fase de não conseguir se limpar sozinha, precisava dela para amamentar, comer, foram várias noites de sono pra cuidar de você chorando, tratou e sofreu junto de suas doenças. Avisou sobre os meninos ruins, deu conselhos nos seus primeiros amores eternos, estava lá para aplaudir as vitórias e te acolher nas derrotas. Foi ela que te protegeu e deu amor incondicional quando você mais precisou, abrindo mão da vida dela para formar e educar você. 

Você está passando por essa situação há dois anos? Então agradeça por ela estar viva, e que bom que você está tendo a oportunidade de devolver um pouco do que ela fez por você durante esse tempo. É bom lembrar que você ainda está devendo pelo menos 10 anos de cuidados e se esse tempo passar, a gente volta a conversar.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Reflexões Sobre Somo Conseguir o Nosso Bem Estar Físico e Espiritual


Enviado po: Romilson Elias Ribeiro

Digníssimos amigos e amigas da Casa Bonsai Recanto do Idoso.
É com  o coração na alegria e alegria no coração  que dirijo o meu falar a todos.
Estas palavras são  direcionadas a todas as pessoas. Não importa a religião, o sexo, a idade, a profissão e as suas  formas de pensar e agir.

A crença é a base essencial da nossa esperança e a evidência incontestável de tudo que o abrir dos olhos não enxerga.
Eu posso pegar e  ver um objeto qualquer, digamos que seja um lápis. É muito fácil acreditarmos que ele existe, porque podemos visualizá-lo e segurá-lo em nossas mãos.
O bom da vida e podermos acreditar naquilo que não se pode ver nem pegar. O próprio Cristo nos deixou a seguinte mensagem: “bem aventurados os que crêem sem ver,  porque deles será o reino dos Céus.”

Se perguntarmos a alguém, você gostaria de conhecer Deus pessoalmente? Vê-lo, tocá-lo e conversar com Ele? Com certeza a resposta será sim. Mas se perguntássemos a esta mesma pessoa, se ela gostaria de morrer, certamente responderia que não. Esta é a prova de que nossa fé em Deus e na  vida eterna é bastante frágil e contraditória. Porque nós acreditamos e ao mesmo tempo desacreditamos. Uma vez que todos nós sabemos,  que a única possibilidade de concretizarmos a esperança de se chegar até o Altíssimo é através da morte.

Acredita-se que não há ateus. Todo mundo crer na existência de um Ser Supremo, criador de tudo e de todos. Ainda que este Ser, seja invocado e chamado de diversas formas e nomes. O que importa é que a crença Nele sempre existiu e sempre existirá em nós todos. Pois todo ser humano já nasce, com a fé no divino pai, obrigatoriamente impregnada em seu corpo e sua alma. Isto tudo tem muita lógica. Porque o avô,  precedeu o neto, o pai precedeu o filho e todas as criaturas humanas ou não, assim como todo o universo e tudo que existe nele, foi, é e sempre será, precedido pelo o único e verdadeiro divino pai eterno, Deus.

Uma forma simples de aumentarmos nossa fé, esperança e o crer na vida eterna, é vivenciarmos cada vez mais o tripé básico, sustentáculo maior da nossa existência terrena, em prol de uma futura vida espiritual permanente.
Este trio ao qual me refiro, é a oração, o perdão e a caridade. É claro que há outros elementos muito importantes que nos fortalecem, mas vamos nos focalizar apenas nestes três. A oração firma Deus em nosso coração e nos permite fazer com ele, a salvadora conversação. Todo erro justificado é digno de um perdão abençoado. A humildade agradece quando a caridade prevalece.

Quando  orarmos não oremos só por aqueles de quem gostamos, rezemos também por quem de alguma forma, nos fez algum mal. Este tipo de procedimento torna Deus mais vivo em nosso coração. A partir daí a própria vida, passa a se desenvolver ao nosso favor. Porque rezar apenas por quem nos quer bem é muito fácil e não existe grande mérito nisso. Devemos nos esforçar para perdoar cada vez mais, uma vez que todos nós precisamos do perdão de Deus. É bom lembrar  daquela passagem da bíblia na qual, Pedro perguntou a Jesus: mestre? Quantas vezes devo perdoar?  Sete? Jesus respondeu:  não Pedro. Você deve perdoar setenta vezes sete. Ou seja, devemos perdoar sempre, desde que a pessoa se arrependa e peça perdão. Como diz o ditado: se você quiser reconquistar uma amizade perdida, peça perdão a esta pessoa,  ainda que ela não mereça. Porque nesta vida,  jamais  se deve pagar o mal com o mal e sim o mal com o bem. Faça o bem que se pensa sem pensar em recompensa. Sabemos que é dando que se recebe. Afinal de contas, ninguém jamais ganha nada, falando mal  dos outros, por mais que se tenha razão para isto.  Ou seja, cuida para que tuas palavras, sejam melhores do que o teu silêncio. Se não puder falar bem, mantenha-se calado, mas, não fale mal, ok? Conforme um dito bíblico: “quem se exalta será  humilhado e quem se humilha será exaltado.”
Fazer caridade aos mais necessitados e sofredores, é o mesmo que construir na terra a nossa casa celestial. Cada pessoa carente que ajudamos, é um tijolo que colocamos a mais, em prol da conclusão desta construção.

Dois grandes pensadores assim já se expressaram respectivamente:  “nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”, “somos o que resta de nós quando não restar mais nada”. Um sábio sacerdote em uma de suas celebrações disse que nós devemos viver, aprendendo a morrer um pouco a cada dia que passa. Em outras palavras, saibamos viver com a consciência de que estamos neste mundo somente de passagem. Afinal, mesmo que consigamos viver um século, o que são cem anos? Se comparados com a eternidade? De outro modo, o que representa uma minúscula pedrinha de açúcar, lançada na imensidão do mar? 

É importante que nós saibamos cuidar bem de nossa saúde, tendo consciência de que um médico tem direta ou indiretamente dois pensamentos: um deles é em prol da cura do paciente e o outro é a favor de que sempre haja pessoas doentes, para que possa curá-las. Isto é bastante compreensível e normal, porque sempre houve e sempre haverá pessoas doentes e pessoas sadias. É  natural que a medicina esteja embasada na existência de gente com problemas de saúde, caso contrário perderia a razão de existir. Então busquemos nós cada vez mais, utilizarmos a medicina preventiva, através de uma alimentação balanceada e exercícios físicos. Assim teremos uma qualidade de vida melhor e condições mais favoráveis de fazermos o bem, em prol de um viver espiritual permanente.
  
Não nos preocupemos com  o que passou ou com o que virá. O único tempo que se vive de concreto é o presente. A espera é uma grande majestade da qual todos nós somos seus súditos. Procuremos vivenciar esta espera,  priorizando sempre mais o momento do hoje  e do agora. O passado já passou não voltará jamais e o futuro está chegando, mas nunca chega, porque quando o amanhã chegar, já não é mais amanhã é hoje.  Possamos então viver e aproveitar cada dia de nossas vidas,  como se fosse o último. É por isso que há uma pergunta, bastante conveniente nesta ocasião: amanhã ou a eternidade? Nós jamais teremos certeza sobre quem virá primeiro.
Um grande abraço e que Deus os ilumine sempre.


Romilson Elias Ribeiro -  03/06/2012.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Cafinfim

Mais uma crônica enviada pelo nosso ilustre Hóspede Edmar Oliveira
Segundo o dicionário Michaelis, Cafinfim significa: piolho de galinha; membro de certo partido político, ou judeu: cristão novo.
Pobre Antônio. Nasceu subnutrido no sertão piauiense, era tão magro, mas tão magro que demorou dois anos para começar a andar. Seus membros contrastavam com sua grande cabeça. Olhos esbugalhados, rosto fino, orelhas de abano e umbigo saliente. Antônio era o que se poderia chamar de sobrevivente. Numa região, com grande taxa de mortalidade infantil, era difícil imaginar que ele pudesse sobreviver.
Quinto filho de uma prole de sete, Antônio foi o único a nascer com essas características de menino fadado a viver pouco. Os parentes e amigos da família diziam: “Comadre, batiza logo esse moleque para ele não morrer pagão!”.  A mais preocupada era Dona Bela, vizinha da família de Antônio, uma senhora gorda, de faces rosadas e esposa de um judeu alemão foragido durante a primeira Guerra Mundial.
A mãe de Antônio, católica fervorosa e participante ativa de novenas em louvor ao Divino Espírito Santo, ouviu os conselhos e tratou logo de batizar o menino. Dona Bela foi escolhida como madrinha. Afinal, foi ela quem puxou o cordão pela salvação do pobre Antônio. Ela não tinha dúvidas que aquele pequeno ser esquelético, partiria desta para outra a qualquer momento.
Antônio não morreu, seu batizado foi uma festa. Muitas brevidades feitas pela madrinha Bela, umbuzada e beiju ou tapioca com manteiga de litro. Houve até dança de forró ao som da sanfona do compadre Agripino. A poeira subiu no quintal de chão batido. As irmãs de Antônio se emperiquitaram todas para o evento. Compadre Quirino trouxe uma cachaça lá do pé-de-serra para os mais velhos. Sempre com recomendações da mãe de Antônio para evitar os abusos. Ela detestava bebida e tinha receio que seu filho mais velho enveredasse pelo caminho do vício; já bastava seus irmãos que além da bebida eram viciados em jogo de baralho.
A vestimenta típica para meninos ou meninas naquela idade era uma camisola feita de morim, um tecido branco e cheia de goma, sem nada por baixo. Antônio passava o tempo todo vestido nessa indumentária, sempre com ventinho a favor.  Era um verdadeiro serelepe. Não andava, mas engatinhava pela casa de chão batido.
Certo dia, os primeiros passos aconteceram finalmente. De repente, para surpresa geral, aquela figura mais parecendo um fantasma, desfilou cambaleante, exibindo o barrigão estufado e ar de vencedor. Foi o maior show de tombos e ralações que se tem notícia. A ordem era não acudir. Agora ou vai ou racha, dizia sua mãe.
Quase rachou, mas o teimoso venceu mais um desafio. Ele só não escapou do apelido que lhe deram. Uma das irmãs, de forma jocosa o comparou a um piolho de galinha, também conhecido como cafinfim. Estava assim rebatizado o nosso herói. Esse apelido o acompanharia por muito tempo.
Tempos depois, agora com seis anos e ainda magérrimo, suas birras e calundus não eram mais tolerados pela sua mãe e irmãs. Além do clássico cafinfim, elas também apelavam para as palmadas na bunda. Seu pai era o único que as vezes vinha em seu socorro. Talvez pela fragilidade, seu pai sempre o presenteava com moedinhas que ele gastava na vendinha do seu Vinvim. Um velhinho careca, de faces redondas e rosadas, óculos enormes, assemelhando-se mais a um duende.
Nem sempre acontecia esse banquete de guloseimas. Uma de suas irmãs o tapeava, trocando suas moedas por saquinhos cheios de folhas de malva com a promessa que no futuro essas folhas se transformariam em grandes árvores cheias de moedinhas. Com olhos de gulodice tão grandes quanto sua barriga, o inocente Antônio caia na tapeação da esperta mana que se fartava.
Antônio adorava a casa onde morava, feita de alvenaria, ela tinha um detalhe intrigante; na parte externa apoiada na viga principal da cumieira e fincada no chão, havia um tronco de mulungu sustentado praticamente toda a casa. Só muito tempo depois ele soube que aquele tronco era para evitar o desmoronamento da casa em dias de chuvas com vento forte. Seu pai não era engenheiro, mas sabia das coisas.
            A casa tinha um quintal enorme. Era nesse quintal de chão batido que nas noites quentes dos finais de semana  se reuniam os vizinhos para papearem, comer brevidades feitas pela madrinha Bela e ouvir suas longas estórias. Antônio adorava a estória: “cinco negos brancos e seus amigos cinco negos pretos”.

Nessas noites de céu estrelado e sem nuvens, era comum verem-se estrelas cadentes riscando o céu em semicírculos, como se fossem fogos de artifício. Os mais velhos quando inquiridos, diziam que aquilo era obra de Deus depurando o Universo. Antônio como as demais crianças tinham medo de que alguma delas caísse na terra.
Os jovens, já com intenções de namoro, gostavam de jogar fiodó. Formavam uma roda e acendiam um palito de fósforo. O jogo consistia em ir passando esse  palito de mão em mão, ainda aceso e dizendo as palavras: “fió? Oi! Quer comprar fió? Quero! E se fió morrer? Pagarei fiodó!” Na mão de quem o palito apagasse ou morresse a pessoa tinha que  passar por um castigo. Poderia ser, sem violência, uns “bolos” de palmatória de madeira. Ao vencedor, ou vencedora as honras de receber os aplausos dos vencidos.  Antônio adorava apreciar esse jogo e sempre pensava: “quando eu crescer, nunca vou pagar fiodó”.
Nesse ambiente de simplicidade, os dias passavam. Todos trabalhavam solidariamente para se prevenirem das estiagens, fenômeno comum no sertão nordestino. Os homens furavam poços, também chamados de cacimbas. O acesso a água era através de escadas cavadas na própria cacimba. O transporte era feito em cabaças atreladas a cangalhas no lombo dos jumentos. Previdentes, o povo da região represava as águas das chuvas em pequenos açudes. Servia principalmente, para dar de beber aos animais nos longos períodos de estiagem. A polpa do mandacaru triturada, servia como alimento aos animais, além do que, também ajudava na hidratação por ser rica em água.
Essas coisas não interessavam a Antônio. O que ele mais gostava era de brincar com Deusdeti, filho do Pedro Véio, um lavrador de rosto enrugado e manco. Diziam que esse problema foi devido a um coice de jumento num de seus momentos de bebedeira.
Antônio e Deusdeti passavam horas e horas embaixo de um velho umbuzeiro, brincando de vaqueiros, onde os bois eram ossinhos de passarinhos e os currais, sementes de umbu. Quando brigavam, quase sempre dava empate. Ali era a dupla “fome com vontade de comer”. Equivaliam-se no porte físico. O xingamento mais usado era: Cão. Ofendia muito porque aprenderam que Cão era o diabo. Quase sempre essas rusgas terminavam com o couro das alpercatas “esquentando” as bundas deles. Apesar dessas briguinhas, eram amigos inseparáveis e frequentavam as aulas de alfabetização da tia Raquel, a única professora do lugar, casada com um tio de Antônio.
A mãe de Antônio era uma senhora muito destemida e forte. Com a morte do marido, Seu Luiz Meada, assumiu ás rédeas da família. Nessa época já com seis filhos e grávida do sétimo, não fraquejou, contando apenas com o trabalho dos filhos mais velhos, onde a primogênita tinha apenas treze anos. Ela exerceu toda sua liderança de mulher criada no agreste e acostumada as desventuras da vida. Nunca ninguém a viu choramingando ou maldizendo da vida. Foram dela, as palavras que até hoje soam como ensinamento para todos os filhos: “Deus nunca nos dá um fardo maior do que possamos suportar”.
Embora, ainda crianças e alguns já adolescentes, todos tinham tarefas a cumprir. Cabia a Antônio cuidar das panelas no fogão, ele se sentia o mais importante e pensava: “Se o feijão queimar,ninguém come”.
Tempos depois, uma grande estiagem abalaria o planejamento preventivo dos moradores. Foram muitos meses sem chuvas. A água normalmente escassa, agora era quase inexistente. Para consegui-la, tinha-se que se deslocar para lugares cada vez mais distantes. Os animais emagreciam e alguns morriam.
Aquilo, que se prenunciava como uma grande tragédia, foi o motivo que faltava para a mãe de Antônio tomar a decisão que já alimentava há muito tempo. Sair dali e rumar para um lugar onde seus filhos pudessem crescer e se tornarem pessoas em condições de vencerem na vida. Ela não queria que eles fossem apenas vaqueiros ou mulheres cuidando de uma penca de filhos. Ela tinha pouco estudo, mas era sábia. As dificuldades futuras, ela tinha consciência de como enfrentá-las. Vendeu sua pequena propriedade para seu cunhado e preparou sua viagem com a penca de filhos para o sudeste, mais especificamente São Paulo. Escreveu aos irmãos que já moravam no “sul maravilha” e organizou a partida.
Na partida do lugarejo, muita tristeza e choro. Dona Bela sentia a perda do seu afilhado e rezava juntamente com todos vizinhos. Esse ambiente de dor, também atingiu o pequeno Antônio. Indiferente a essa coisa de futuro, sabia que nunca mais iria poder brincar embaixo do seu querido umbuzeiro com seu amigo Deusdeti. Não iria mais aprender a atirar pedras com bodoque, coisa que seu irmão fazia com destreza, para afugentar os periquitos do milharal. Não iria mais comer os doces da vendinha do seu Vinvim. Não iria mais andar no lombo dos jumentos Futuca e Azulão. 

Na medida em que os cavalos se afastavam, Antônio montado na garupa e abraçado ao seu irmão, olhava para trás, vislumbrando já à distância, aquilo que outrora fora seu paraíso. Agora, a vendinha do seu Vinvim era apenas um pequeno ponto no horizonte. Na sua mente como um canto do cisne, ecoavam as palavras: “fió, Oi! Quer comprar fió? Sim! E se fió morrer?...”.


Edmar de Oliveira - Junho/07

domingo, 29 de abril de 2012

Cartão de Crédito

Por Edmar Oliveira, 70 anos, hóspede da Casa Bonsai

Há certos dias que o melhor seria não sair de casa, principalmente, perto do carnaval, quando as bruxas estão soltas a procura de uma escola de samba para desfilar.

Com essa introdução parece que vou relatar uma tragédia. Não é bem assim:

Na última quinta feira, levantei-me, tomei meu cafezinho esperto e elaborei a agenda do dia. Falando em agenda, esse hábito é uma herança dos meus tempos de funcionário movido a stress. Agora, nessa doce vagabundagem de aposentado milionário do INSS a procura do que fazer, fico elaborando roteiros. 

Coloquei como primeira atividade, ir a cidade procurar num “sebo” uma revista antiga sobre plantas baixas de casas.

Chegando a cidade, informei-me sobre o tal “sebo”.

Com o endereço na mão, arribei para o tal “sebo”. Desisti no meio do caminho. Ao atravessar uma rua de mão única, preferencial, parei na calçada e olhei se vinha algum carro. Quando dei o primeiro passo, um distraído que estava estacionado, deu ré. Só ouvi alguém gritando: Oia! Oia! OOOOO! Senti de leve o roçar de um pára-choque na minha perna e, lógico, o motorista parou e pediu desculpas. Balbuciei qualquer coisa e lembrando das bruxas carnavalescas, resolvi tomar o ônibus de volta e refazer a tal agenda .

Chegando em casa lembrei-me que não tinha nada para  jantar. Fui até a padaria comprei um belo sanduíche frio e duas águas tônicas. Por recomendação médica estou suprimindo o açúcar e também não é só isso. Sou tarado por água tônica. Paguei tudo com cartão de débito automático.

Voltando, estava escuro e, ao tentar acender a luz do corredor, meu cartão caiu do bolso. (Por preguiça, não havia guardado na carteira). Sei lá que tipo de movimento eu fiz. Catei o dito cujo e botei no bolso da bermuda. No bolso? Vejamos:

No dia seguinte, arrumando a bagunça do dia anterior fui guardar o cartão na carteira. Cadê? Quem me conhece sabe dos meus dotes de “procurador”. Olha aqui, olha ali e nada! Passou pela minha cabeça um pensamento nada higiênico: “Nossa! Devo ter colocado o cartão no saco de compras e o pior, já joguei o lixo fora!”

Dá para imaginar a cena. A tremenda vergonha de explicar aos condôminos que foram chegando o que havia acontecido. Moral da estória: o saco de lixo foi remexido e nada. Dava para ver nos rostos de todos a mesma frustração que eu estava sentindo. Aí vieram os comentários:

Do porteiro do prédio:
-Sr Edmar, liga pro banco e cancela!
Pareceu-me que ele estava me chamando de burro.

Da dona do cachorrinho fera:
-Vou fazer uma oração para São Longuinho, para o senhor encontrar.

Agradeci mas, sinceramente, nunca tinha ouvido falar no tal santo. Voltei ao meu apartamento mais aliviado e disposto a não levar baile de um cartão fujão. Pensei: esse filho da p.... está querendo me enganar! Ou será que as tais bruxas... Refiz o percurso do dia anterior, voltei a máquina de lavar onde a roupa suja estava pronta para ser lavada e “examinei” novamente os bolsos da bermuda, agora, com mais cuidado. Achei!!!! Ele estava no bolso esquerdo! Preciso dizer o que pensei de mim? Tive que mentir pra devota do São longuinho, dizendo que achei nas dobras do sofá, e ouvir: “graças meu São longuinho”. O porteiro interfonou e também perguntou se eu havia encontrado. Menti de novo. O saldo de tudo isso, foi um banho quentinho fora de hora e a sensação de que se nunca fui, mas agora com certeza, me tornando um manezão ...


O Ninho


Mais uma crônica do nosso Ilustríssimo hóspede Edmar Oliveira.

Na nossa vida, acontecem fatos curiosos, interessantes e prazerosos. Alguns nos põem a pensar na maravilha que é a grandeza da criação de Deus e a semelhança entre os homens e os demais seres.

Numa manhã de dezembro, a senhora que faz a limpeza aqui em casa, com um sorriso de alegria, me chamou para ver uma cena interessante; uma rolinha havia feito seu ninho na cestinha dos prendedores de roupa. A princípio demos risada pela curiosidade. Pegamos a cestinha que estava numa cantoneira e para nossa surpresa, verificamos que havia dois ovinhos branquinhos e pequenos lá dentro. A rolinha, acreditamos, deveria estar por perto acompanhando nossas ações. Minha primeira preocupação, foi  verificar se aquele ninho estava em lugar seguro, livre dos ataques de algum gato noturno.

Naquele momento, agi como um pai preocupado tentando proteger seus filhos das agressões do mundo externo. Não levei em consideração que a nossa rolinha, instintivamente, já havia providenciado o aspecto segurança. Por mais espertos que fossem os gatos, eles não teriam como chegar à cantoneira onde estava o ninho, sem se esborracharem no chão. Refleti e conclui que a proteção aos entes queridos é igual em todas as espécies.

Acompanhar a evolução daquele ninho, passou a ser meu passatempo predileto nas primeiras horas das manhãs. Admirava aquele pequeno pássaro chocando seus ovinhos com ternura e dedicação franciscana. Raramente se ausentava e todas às vezes que olhava pela janela, lá estava ela na sua pose elegante, como uma lady, a cuidar da sua futura cria.

O ninho passou a ser o local de visitação dos meus dois netinhos (Caíque e Thiago). Thiago ainda muito pequeno, começando a articular as primeiras palavras, limitava-se a apontar o dedinho para a rolinha e no seu vocabulário, dizia apenas “pa” e soltava gritinhos. Caíque, maior e muito esperto, queria saber de tudo e via-se claramente estampados no seu rostinho, o brilho de alegria dos seus olhos a contemplar a magia daquele momento. Talvez pensando na sua ingenuidade, que quando aqueles passarinhos nascessem, seriam mais uns amiguinhos ou um brinquedo para ele.

O tempo foi passando até que numa dessas manhãs, ao abrir a janela do meu quarto, vi a “mamãe” rolinha alimentando dois passarinhos. Eram pelados, feios e a exemplo de um bebê, como diria meu cunhado brincalhão: com cara de joelho. Confesso que nunca entendi bem o porquê dessa comparação,  mas sempre achei engraçada. Fiquei emocionado com aquela visão. Senti-me parte daquele momento, porque em nenhuma ocasião interferi na mudança do curso daquelas vidas. Confesso que algumas vezes me vi tentado a alimentar a mamãe, mas não o fiz. Respeitei a cadeia da vida e deixei que ela (pombinha) cuidasse disso. Ah! Os netinhos vibraram. Difícil foi explicar porque não podiam mexer nos filhotes.

O tempo foi passando e aqueles outrora peladinhos, foram emplumando. Sabia que mais dias menos dias, eles iriam embora. Aconteceu! Numa manhã ensolarada, abri a janela e o ninho estava vazio. Estava completado mais um ciclo da vida. Agora me restou à expectativa que na próxima primavera aquela cestinha venha a ser usada novamente por algum novo pássaro, fazendo a minha alegria e dos netinhos que, aliás, agora são três com a chegada da irmãzinha do Caíque, minha bonequinha com cara de chinesinha chamada Letícia.

Piracicaba, Maio de 2002

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Velho


Mais uma crônica escrita pelo nosso querido amigo Edmar Oliveira, 70 anos e hóspede Bonsai           

Numa grande metrópole, morava um velhinho simpático, mas aborrecido com as dificuldades da vida miserável que levava. Vivia se perguntando sobre a utilidade de viver.

Nos seus momentos de reflexão, questionava sobre a utilidade do homem na Terra. Que utilidade poderia ter alguém que na visão dele, vivia em constante desarmonia, sem amor e agredindo a natureza que outrora fora o Jardim de Éden? Não entendia por que Deus demorava tanto para vir buscar os Seus filhos. Achava que muitas guerras e catástrofes poderiam ser evitadas se O Dia Final acontecesse logo. 

O velhinho matutava e matutava sem chegar a nenhuma conclusão. Ele era consciente que nada havia feito de útil na sua vida. Não se casara, para não ter aborrecimentos com esposa e filhos. Sempre tivera uma idéia muito comodista sobre sexo e família. Para ele família eram as mulheres da casa da Maria Machadão, a cafetina do lugar. Quando sentisse desejos eram suficientes os chamegos da Rosinha “Corrimão”. Fumar um cigarrinho e beber uma pinguinha, derramando o último trago para o santo completava seu prazer.      

Com esse pensamento entre Deus e os prazeres mundanos ele levava sua vidinha de caboclo. Com um salário mínimo do INSS decorrente de uma aposentadoria por idade, ele sobrevivia porque nunca trabalhou com carteira assinada e tampouco recolheu algum tostão à previdência social. Era o que se poderia chamar de excluído social. Sem casa para morar, dormia de favor nos fundos de uma serraria de um conhecido. O pagamento era varrer o chão e lavar os banheiros todos os dias.

O tempo foi passando e o velho ia com ele. Já não tinha mais apetite para os chamegos da Rosinha, agora uma senhora roliça de faces rosadas, seios flácidos, bunda caída e celulites; reflexo de uma vida desregrada. Diziam até que a coitada vendia drogas para tentar sobreviver. Nessa deterioração inexorável da vida, alguns pensamentos vinham-lhe à mente e o principal era o questionamento do significado da vida. Às vezes brigava com Deus que ele  ouvira falar nos sermões das igrejas  que esporadicamente  frequentava, apenas com o objetivo de conseguir alguma ajuda. Fingia com a cara mais lavada desse mundo que Deus era seu Salvador. Saia da igreja e ia beber sua pinga para esquecer a fome e “esquentar” o corpo nas noites frias.

Sentia a cada dia menos disposição para andar. O corpo alquebrado e torpe refletia as marcas do tempo. Passava a maior parte do dia no jardim da igreja matriz apreciando o canto dos pássaros e os andares maliciosos das garotas com suas calças justíssimas, cós baixo, mostrando o umbigo e algumas até deixando antever o início dos pelos pubianos. Vinha a sua mente a lembrança da Rosinha do passado. “Ah cabrita danada!”, pensava.

Sem forças para limpar a serraria e lavar banheiros ele foi convidado pelo colega a desocupar o lugar. Não reclamou. Nem para isso tinha mais ânimo. Se fosse um pouco mais jovem, teria dito umas boas ou dado umas porradas nele.

Seu destino foi ser morador de rua. Dormia as noites embaixo de uma marquise e fazia as necessidades fisiológicas no matinho de um córrego ali perto. Já nem questionava mais. Afinal, porque Deus  ainda não veio? Qualquer dia desse ele iria dizer umas boas ao pastor que só falava bem da outra vida. E essa vida malvada que estava vivendo? Sentia-se tão fraco que talvez não tivesse forças para acompanhar Deus á nova morada tão prometida.

Sozinho, no seu canto, encolhido e quieto, ele sentia muito medo da violência das ruas. Sofria na pele o descaso das pessoas. Não raro a polícia o levava a casa do morador de rua a pedido dos lojistas que reclamavam do seu mau cheiro. Lá, tomava banho e cuidavam das suas feridas. No dia seguinte, voltava a sua vidinha de excluído social. Sua marquise sempre estava a sua espera. 

Não tinha mais vontade de viver. Algumas vezes chorava baixinho, principalmente, quando não encontrava o que comer nos sacos de lixo.

Foi no meio de uma depressão como essa que, numa noite de verão, depois de sentir as pernas baquearem, ele viu um vulto iluminado envolto em um manto lindo e esplendoroso vindo ao seu encontro. Perplexo, sentiu-se envolvido por uma aura de paz e bem estar. Não entendeu bem tudo aquilo, mas sabia que algo de bom estava para acontecer. Candidamente, aquele vulto pousou sua mão direita no seu ombro e disse - “Filho, levanta-te e dê-me sua mão. Na casa do meu Pai há muitas moradas”. O velhinho, trêmulo e envergonhado e sabedor do que estava acontecendo disse não ser merecedor de tanta Graça. Lembrou-se das palavras do pastor sobre o ladrão da cruz e disse: “Senhor, perdoai meus pecados. Estou sofrendo muito”! Disse isso com todas as forças que ainda sobravam, com os olhos marejados e o coração aos saltos.

No dia seguinte, um camburão da polícia veio retirar aquele corpo estendido na calçada que atrapalhava os pedestres. As pessoas que por lá passavam, ficavam intrigadas.  Porque aquele semblante de felicidade no rosto inerte de um ser tão miserável?


Por: Edmar Oliveira - 18 de Março de 2004.


sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Pedido


Por: Edmar de Oliveira, 70 anos, hóspede Bonsai

Após um dia cansativo depois de fazer as coisas que um velho normalmente faz; como ler jornal, regar plantas, alimentar os cães, andar em volta do quarteirão e cochilar sentado na poltrona da sala, aquele velho se preparava para dormir.

A noite estava gostosa, nem fria nem quente. Foi até a cozinha, tomou o resto de café, agora já frio, que ele havia coado. Vestiu o pijama, deitou-se, fechou os olhos e mentalmente, refez o filme dos últimos acontecimentos.

Não lhe saia do pensamento a discussão havida entre o seu EU. Aquilo foi muito louco! Imagine um duelo de cobranças. Ainda bem que terminou tudo bem e não houve necessidade de intermediação. Estava quase dormindo quando ouviu uma voz bem baixinha:

- Olá! Tudo bem com você? Podemos conversar um pouco?

- Quem é você? Balbuciou assustado o velho. O que quer de mim?

- Não tenha medo! Não vou machucá-lo. Sou de paz e quero apenas conversar. Sei que você não vai me negar esse prazer. Afinal, recentemente, você foi tão gentil com o seu eu novo e seu eu velho. O que me traz aqui é só uma preocupação que você, com certeza, pode resolver.

- Pelo amor de Deus! Quem é você afinal? Como entrou na minha casa? E porque não consigo vê-lo? Não me assuste.

- Calma! Sou alguém importante na sua vida. Ou melhor, o mais importante. Sou à parte de você que nunca envelhecerá. Quando você ainda era um boneco de barro, o nosso Pai lhe deu a vida. Essa vida sou eu. Ele recomendou-lhe que zelasse por mim, vivendo de acordo com os mandamentos Dele. Com a chegada da sua velhice, estou aqui para saber o que você tem feito a esse respeito.  

- Você então é o meu espírito? Perguntou o velho arregalando os olhos.

- Perfeitamente. É claro que eu sei o que você tem feito e deixado de fazer. Afinal de contas, eu sou seu futuro. Participei ativamente das fazes da sua vida e posso garantir sem medo de errar que você não fez o suficiente para garantir minha eternidade. As recomendações do Pai não foram seguidas. Você teve momentos de euforia dando a entender que finalmente seria um novo homem. Deixaria de pensar somente no seu bem estar material e passaria a dar atenção as recomendações Dele, pavimentando meu encontro com Ele.

Aconteceram coisas nesse período que desviaram sua atenção como sua separação, depois de um longo casamento, mas, isso já foi discutido entre vocês e não devemos rediscutir o assunto. Também contribuiu um pouco para a sua descontinuidade de ações, a doença neurológica que o deprimiu bastante e o transformou numa pessoa com dificuldades físicas. Nosso Pai estava atento a tudo isso e todas as vezes que você pediu ajuda Ele o atendeu.

Agora pergunto: Você foi grato? Parece-me que não! Será que você não percebeu que as desgraças da sua vida, se é que podemos classificá-las assim, não poderiam ter sido sinais Dele? Quando as coisas não acontecem por amor elas acontecem pela dor.

Meu caro boneco de barro. Ainda há tempo, embora curto, de você dar um jeito nessa sua vida. Como? Você sabe e tem exemplos vivos ao seu lado. Filhas, netos, irmãs e cunhados. Não me decepcione porque o decepcionado seremos todos nós. Na casa do nosso Pai há muitas moradas e eu quero me ver inquilino desse maravilhoso condomínio celestial.

O coração do velho estava aos saltos. As mãos transpiravam, o suor descia pela fronte e por um momento ele pensou estar tendo um infarto, mas foi se acalmando devagar. Ele tinha consciência que ainda não havia chegado seu momento. Faltava o mais importante. Dar graças a Ele e zelar pela sua alma que naquele momento dormia ao seu lado serenamente com um ar de alegria.

Ela tinha certeza que a estratégia elaborada pelo Pai surtira efeito. Balançara os alicerces daquele velho preguiçoso.


Edmar de Oliveira - 25/07/2006