quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Sinais do Alzheimer


Neurologista mostra como identificar os primeiros sintomas da doença

Neste dia 21 de setembro, foi o Dia Mundial da Doença de Alzheimer.
Apesar de a Alzheimer's Desease International calcular que 36 milhões de pessoas no mundo possuam a doença, pouco ainda se sabe sobre a demência. Identificar os sintomas logo após seu aparecimento é essencial para iniciar o quanto antes os tratamentos e retardar o avanço dessa doença, que ainda não tem cura e pode levar à morte.

A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ) estima que a doença atinja 1,2 milhão de pessoas no país. De acordo com o neurologista, doutor pela Universidade de Basel, na Suíça, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e autor do livro "Lembro, Logo Existo", Oscar Bacelar, "o Alzheimer é o tipo de demência mais comum que existe. É uma doença neurodegenerativa, ou seja, a condição do paciente piora gradativamente e acaba por levá-lo à morte. A doença de Alzheimer não tem cura e os tratamentos disponíveis apenas retardam sua evolução".

Existem diversos fatores envolvidos no desenvolvimento do Alzheimer, mas o principal fator de risco é a idade. "A partir dos 65 anos de idade, a prevalência da doença dobra a cada cinco anos. Por exemplo, 1 a 3% das pessoas com 65 anos têm a demência. Aos 85 anos de idade, a prevalência já atinge 40 a 45% dos pacientes. Apesar de conter um fator genético para o desenvolvimento, seu aparecimento não é hereditário. Mesmo quem não tem parentes próximos com a doença pode desenvolvê-la mas, caso haja algum caso na família, as chances aumentam em três vezes.
Observamos, também, mais casos de mulheres com a doença do que homens, mas não tenho dados específicos", diz Oscar.

Além dos fatores idade, gênero e genética, existe ainda outro muito importante que pode estimular seu desenvolvimento: o nível educacional.
"Os indivíduos analfabetos têm quatro vezes mais Alzheimer que indivíduos letrados. A explicação para isso é que o estudo aumenta a reserva cognitiva da pessoa. O cérebro não é uma caixa preta, que nasce e morre com a mesma quantidade de neurônios. Se estimulado, aumentam as conexões. É um fenômeno chamado neurogênese, o nascimento de novas células, que ocorre principalmente na região da memória, o hipocampo, que é, também, a primeira atingida pelo Alzheimer. O estímulo cognitivo constante é um fator de prevenção para a doença", explica o neurologista.

Outro fator externo para o desenvolvimento do Alzheimer citado por Oscar é a alimentação. "A dieta do Mediterrâneo é rica em peixe, azeite, vinho tinto ou suco de uva, alimentos típicos dos países ao sul da Europa.
Foi feito um estudo por cinco anos com 1500 indivíduos idosos, nenhum com Alzheimer. Metade do grupo fez, durante esse período, a dieta do Mediterrâneo e a outra metade continuou comendo como antes. O grupo que fez a dieta converteu 30 a 40% menos a doença de Alzheimer do que o outro. Existem fatores de proteção nessa dieta. Os alimentos possuem propriedades antiinflamatórias e antioxidantes, o vinho possui uma substância que tem caráter de melhora na metabolização da glicose", observa o médico.

Os primeiros sintomas da doença podem ser percebidos pelo próprio paciente. Segundo Oscar, "os sinais de alerta são vários. Déficit de memória para fatos recentes, apatia, isolamento social, diminuição da fluência verbal, dificuldade de realização das tarefas domésticas, desinteresse por atividades habituais. Geralmente, é a perda de memória associada a alguma outra alteração. O problema é que esses sintomas podem ser facilmente confundidos com a depressão e é preciso do acompanhamento de um médico para estudar os sintomas. Depois de diagnosticada a doença, o paciente é tratado com medicamentos e precisa muito do cuidado e apoio dos familiares e de um cuidador", finaliza ele


Memória nota dez


Cinco coisas que você precisa PARAR de fazer para ter uma boa memória

Memorizar com precisão datas, nomes, fatos e acontecimentos específicos é o desejo de muitas pessoas. Poder não só lembrar, mas dar detalhes e informações precisar do que já passou. Algumas pessoas são capazes de fazer com muita facilidade esse resgate mental de fatos e/ou informações, porém, outras pessoas não conseguem. Há quem diga que tem ótima memória e que consegue se lembrar sem esforço, mas muitos não são tão bons de recordar assim.

O QUE É:
A memória é a capacidade de acessar as informações guardadas. Com isso, é através do uso da memória que uma pessoa é capaz de se comunicar, se relacionar com as pessoas a sua volta, trabalhar, se divertir, etc.

DICAS:
Selecionei cinco coisas que você deve parar de fazer para ter boa memória:

1) Deixe de lado a ideia de que quem faz duas coisas ao mesmo tempo é mais eficiente do que quem faz uma de cada vez. Fazer muitas coisas juntas atrapalha a memória. Se você quer memorizar melhor, preste atenção no que está fazendo com total concentração e foco. Ações paralelas independem o foco adequado para o resultado satisfatório.

2) Deixe a ansiedade para trás, treine até aprender a prática do relaxamento físico e mental, da meditação, e respiração tranquila e serena, assim a memória tende a ficar melhor.

3) Pare com os pensamentos negativos. Pensar de forma triste ou ruim só piora a vida e a memória. Se você está passando por algum período conturbado da vida e precisa de ajuda, não deixe de procurar um profissional adequado para orientá-lo a solucionar o que for preciso. Paz mental é fundamental para uma boa memória.

4) Evite fazer atividades sem intervalo. Se você é daqueles que fazem o que precisa ser feito sem dar uma pausa para descanso e reabastecimento de energia, saiba que isso tende a gerar desgaste e pode piorar a capacidade de memorização.

5) Pare de insistir com você em memorizar alguma coisa em momento de grande estresse. Situações extremantes estressantes dificultam o processo de gravar, recordar e processar a informação como um todo. Por isso, é importante cuidar da serenidade dentro do cotidiano de cada um. Afinal, a vida de modo geral é mesmo feita de muitos estímulos e acontecimentos.

ALERTA:
Algumas doenças como depressão, ansiedade, alterações hormonais são capazes de interferir na capacidade de memorizar os fatos e acontecimentos. É importante uma avaliação de um profissional qualificado para que não haja dúvidas num possível diagnóstico e tratamento.

TRATAMENTO:
Psicoterapia é uma ótima ferramenta de cura. São varias as teorias e formatos de tratamento.
Escolha focar na solução de questões práticas e pontuais do que você precisa, como por exemplo, ao invés de querer melhorar a memória como um todo, comece com questões pontuais e especificas. Técnicas de PNL, hipnose, EMDR, coaching de vida são excelentes aliadas no processo terapêutico, pois são focadas na solução e praticidade.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

A língua do Alzheimer


Estudo canadense sugere que falar duas línguas pode atrasar o surgimento da doença

Do you speak English? ¿Hablas español? Seja para ajudar um estrangeiro na rua dando informações ou até mesmo para fazer compras em um site lá de fora, falar uma segunda língua também é importante para a saúde.
Pesquisadores canadenses descobriram um importante benefício do bilinguismo: retardar o aparecimento dos sintomas do Alzheimer, doença neurodegenerativa mais comum do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo, publicado na revista "Trends in Cognitive Sciences", mostra que pessoas fluentes em duas línguas têm menos chances de manifestarem os sintomas de diversas demências quando forem mais velhas, inclusive o Alzheimer. Segundo o estudo, apesar de não ter um efeito tão perceptível na idade adulta, o bilinguismo ajuda a proteger o cérebro contra o declínio cognitivo quando em idade avançada. Conforme a população mundial se torna cada vez mais diversificada, o papel do bilinguismo é cada vez mais importante.

Os pesquisadores chamam essa capacidade de retardar as doenças neurodegenerativas que o aprendizado de outra língua tem de "reserva cognitiva" (RC). De acordo com o neurologista Andre Gustavo Lima, "RC é a capacidade do cérebro de armazenar por períodos prolongados as habilidades que foram adquiridas ao longo da vida. Ou seja, assim que começarem as perdas cognitivas naturais do processo de envelhecimento, pessoas com uma maior RC terão mais informações para serem perdidas. Assim, os efeitos dessas perdas serão sentidos mais tardiamente do que para aquelas que têm RC menor".

O aprendizado, não só de outra língua, mas de qualquer habilidade, tem papel fundamental na manutenção da RC do nosso cérebro. Para o professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Cícero Galli Coimbra, "desde 1998 sabemos que o cérebro humano é capaz de, rotineiramente, produzir novos neurônios que substituem outros que são perdidos durante a vida. Os maiores moduladores da produção de novos neurônios são os estados emocionais (estresse é bloqueador a calma é facilitadora) e a utilização frequente das áreas do sistema nervoso onde queremos manter ativa a produção de células nervosas. O aprendizado de uma nova língua mobiliza a função de praticamente todos os recursos mais nobres (cognitivos) do cérebro e de outras partes do encéfalo, aumentando vigorosamente a população de células nervosas. Outros aprendizados seguem a mesma linha".

No entanto, não basta aprender uma nova habilidade se ela não for praticada. Cícero continua explicando que "é necessário manter a utilização da nova língua, pois, de outra forma, o sistema nervoso 'deleta' as células nervosas em desuso e a habilidade vai sendo perdida progressivamente". Andre Lima ainda completa dizendo que "estar com o cérebro constantemente em exercício faz com que o processo cognitivo seja trabalhado, mantendo-o ativo e retardando ainda mais a manifestação de uma demência, por exemplo. O melhor, então, é aprender e praticar sempre. Ouvir músicas, ler livros, ver filmes, palavras cruzadas e nenhuma restrição sobre qual língua escolher. Tudo isso ativa o cérebro".

O neurologista Cícero Coimbra ainda aconselha: "não rejeite as novas tecnologias à medida que elas surgem. Aprenda a usá-las e mantenha-se usando-as na resolução de seus problemas à medida que se defrontar com eles. Mantenha a mente ativa resolvendo problemas, sustentando-se como pessoa útil para o meio social onde vive. Faça com que seus amigos e familiares necessitem do seu auxílio. Não pare de resolver problemas onde que quer que se encontrem. Não fuja deles. Procure-os, trabalhando construtivamente para a solução deles, sempre com calma e tranquilidade. Manter-se útil e necessário, sustenta a autoestima, não sobrando lugar para a depressão, que é a maior bloqueadora da formação de novos neurônios”.


Imagens do Alzheimer


Um novo e pioneiro tipo de exame no Brasil pode diagnosticar precocemente a doença

A Medicina não para de evoluir. Um novo e pioneiro tipo de exame no Brasil pode diagnosticar precocemente o Alzheimer. O método consiste em integrar imagens das vias cerebrais realizadas por tomografias de pósitron (PET), tomografias computadorizadas (TC) e ressonância magnética, e, assim, fazer um diagnóstico mais completo. A nova tecnologia foi desenvolvida por dois médicos brasileiros do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, a partir de processamento de dados trazidos dos Estados Unidos. Já se sabe que o Alzheimer atinge, hoje, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 24 milhões de pessoas no mundo todo.

O método foi criado a partir de pesquisas realizadas na Universidade da Califórnia (UCLA), instituição na qual os líderes do estudo, os neurocirurgiões Dr. Antônio De Salles e a Dra. Alessandra Gorgulho, são professores. Segundo De Salles, o exame faz a integração de várias imagens do cérebro. O PET mostra as funções do órgão e em que lugares o cérebro está usando energia. Nos pacientes com Alzheimer existem áreas nas quais não estão sendo bem trabalhadas. "O paciente faz tomografia de pósitron, obtida juntamente com tomografia computadorizada, que dão uma boa ideia da atrofia do cérebro, pois em certas áreas do cérebro do paciente que sofre com a doença existem atrofias." – explica o neurocirurgião.

Depois, são usadas as imagens de ressonância magnética. Assim, as três são processadas. "A ressonância, hoje em dia, permite ver as fibras do cérebro, como os neurônios, por exemplo, e os seus caminhos no cérebro. Em pacientes com Alzheimer, esses caminhos vão diminuindo. E isso nós podemos identificar nesse exame." – explica o especialista, que completa: "Quando nós integramos essas imagens é possível, matematicamente, identificar bem melhor o paciente que tem a doença”.

O novo exame traz grandes benefícios para as pessoas que sofrem com a enfermidade. Com a reunião de todas essas imagens é possível detectar de maneira mais perfeita e precoce o Alzheimer.  "Com uma só imagem não se consegue ter um diagnóstico mais completo, porque não há informação bastante para selar esse diagnóstico." – explica De Salles.
Além disso, de acordo com o especialista, a descoberta de maneira precoce do mal permite definir o melhor tratamento para o paciente e receitar medicamentos que, acredita-se, retardem a progressão da enfermidade.

O Alzheimer é uma doença degenerativa no qual o paciente vai perdendo as funções intelectuais. "Nós não entendemos ainda o porquê, mas há uma deposição de proteínas anormais que vão acumulando e distorcendo os neurônios. As células morrem em várias áreas. Mas porque são nesses locais não se sabe bem." – finaliza o neurocirurgião.


Sobre a amizade – Ter amigos leva a longevidade sem doenças


Quem não cultiva a amizade, abre espaço para a solidão

O sentimento é nobre e já inspirou poetas, filósofos e escritores. Tida já pelos gregos antigos como a forma mais sublime do amor, a amizade passou a interessar, mais recentemente, também aos cientistas. Aumenta o coro dos que acreditam que trata-se de algo verdadeiramente especial e que um amigo pode fazer a diferença no mundo. Sem contar os benefícios para a saúde.

Quem não cultiva a amizade e a fraternidade cede a vez para o seu reverso, que é a solidão. E é preciso, antes de tudo, preparar o espaço e o espírito. "Não pode haver amizade onde há desconfiança, deslealdade, injustiça. Entre os maus, quando se reúnem, é um complô e não companhia. Eles não se entretém. Não são amigos mas cúmplices", pregava Étienne de La Boàtie, no século XVI, em seu Discurso da Servidão Voluntária.

Sócrates, um dos mais expressivos filósofos gregos, declara no Lísis, de Platão, que em toda a sua vida, sempre teve um ardente desejo de amizade, mais que qualquer outra coisa no mundo. Talvez lá, já vislumbrasse o que os cientistas constatam agora. A tese de que ter bons amigos pode prolongar a vida.

Para avaliar os fatores sociais, físicos e psicológicos que afetam a longevidade, o Estudo Longitudinal do Envelhecimento na Austrália - ALSA, em inglês -, acompanhou, desde 1992, cerca de 1,5 mil pessoas com mais de 70 anos em Adelaide. 

Trata-se de uma das mais longas pesquisas já realizadas. No decorrer dos anos, os participantes responderam a questões sobre o tempo que passavam com filhos, netos e parentes, o número de amigos e o tipo de atividade social que exerciam. No final, as estatísticas apontaram que os que dispunham de uma rede de amigos mais firme sobreviveram mais. 

Como uma das principais características da amizade á que se trata de uma escolha voluntária, o que elimina a obrigatoriedade do encontro, fortalecer os laços é uma via para uma existência mais solidária. E a amizade, constatam as pesquisas, ajuda não apenas a viver mais, como a viver melhor. Quanto mais amigos, mais chances de chegarmos à velhice sem problemas físicos e com maior capacidade de adaptação e aceitação das dificuldades inerentes ao envelhecer. Do contrário, pessoas que não tem amigos, são mais vulneráveis a doenças. 

Para o gerontólogo João Batista Alves de Oliveira, ter o bom amigo não significa, no entanto, esquecer de si mesmo. "É preciso buscar um significado para a própria vida e a partir daí, reconhecendo seus valores pessoais, buscar o que há em volta. Deve haver uma busca ativa. Aceitar a solidão ou esperar que os outros a resolvam é negar o valor de si mesmo", afirma.


Aids depois dos 50


Mulheres são as principais vítimas nessa faixa etária

A aids sempre foi vista como uma doença de adultos e jovens. O senso comum criou a falsa noção de que o segmento populacional acima dos 50 anos de idade estaria distante de riscos e vulnerabilidades em relação à infecção pelo HIV. A evolução da epidemia, no entanto, tem mostrado o aumento do número de casos novos em pessoas a partir dessa faixa etária, representando 2,3% do total de casos notificados de aids no Brasil, em 2007. Além disso, é importante lembrar que não há mais grupos de risco, mas sim, situações de risco acrescido, e que todos, com práticas de sexo desprotegido, encontram-se expostos à infecção por HIV e outras DST.

Os dados, se analisados em conjunto com o envelhecimento da população brasileira e o aumento da sobrevida de pacientes vivendo com aids, demonstram que teremos, em curto espaço de tempo, um incremento relevante no número de pessoas soropositivas vivendo na terceira idade. Além disso, o surgimento de medicamentos para disfunção erétil possivelmente contribuiu para que essa população mantivesse vida sexual ativa, favorecendo a exposição à infecção pelas DST e HIV.

Os tabus que cercaram a vivência da sexualidade das pessoas acima dos 50 anos limitam e dificultam a abordagem no campo da prevenção. Entre eles está a ideia preconcebida sobre com quem se deve ou não usar o preservativo. Isso contribuiu para a vulnerabilidade do grupo de pessoas que viveu a maior fase da vida sexual em um período em que camisinha era utilizada apenas para evitar gravidez indesejada.

Os profissionais de saúde podem ajudar a desconstruir o estereótipo de que pessoas acima dos 50 não têm vida sexual ativa. Os médicos devem aproveitar a confiança depositada pelo segmento na categoria para despertar nessa faixa etária a testagem para HIV. A não solicitação do exame pode adiar a descoberta do vírus na velhice, proporcionando a evolução da infecção com progressão da doença, acarretando em prejuízo imunológico e clínico.

O cenário atual da transmissão de DST e aids entre os cinquentões e mais velhos demanda atenção das categorias médicas. Até 2006, o diagnóstico de aids no Brasil em pessoas nessa faixa etária foi de 9.918 casos, sendo 6.728 em homens e 3.190 em mulheres. Atualmente, existem 48.064 pessoas vivendo com aids acima dos 50 anos, diagnosticadas e em uso de terapia anti-retroviral (com avanço no déficit imunológico indicativo de início de tratamento específico).

Em pesquisa recente (amostra de 510 participantes na faixa etária média de 69 anos), cerca de 22% apresentavam parceiro fixo e 55,3% não possuíam companheiro fixo 105 (20,6%) dos participantes julgavam a aids como castigo divino relacionado aos que cometeram pecados, 158 (31%) conheciam alguma pessoa vivendo com HIV 440 (86,3%) do total referiram não ter por hábito o uso de preservativo, sendo que 56 (11%) já tinham realizado testagem anti-HIV em algum momento de suas vidas.

É importante considerar a vulnerabilidade feminina, nessa faixa etária, que tem dificuldade de negociar o uso do preservativo, durante as relações sexuais com parceiros fixos ou não. Muitas vezes, a vulnerabilidade à infecção pelo HIV parte de relacionamentos com duração de décadas, mantidos sem diálogo entre o casal.

Estima-se que, nos próximos 20 anos, a população de idosos, no Brasil, ultrapasse os 30 milhões, alcançando 13% da população geral. Em dez anos, o contingente de pessoas com 60 anos ou mais aumentou 35,5% no país verificou-se um acréscimo de 10,7 milhões para 14,5 milhões.
Portanto, essa discussão espelha um alerta para a relevância de trabalhos em saúde pública direcionados a essa parcela da população, objetivando informações validadas, no intuito de esclarecer dúvidas pertinentes e o grau de vulnerabilidade de quem tem mais de 50 anos de idade frente à epidemia.

É necessário promover conscientização, com mudança de comportamento. Essa geração precisa se prevenir da infecção por HIV e outras DST e aprender que aids é uma doença que tem tratamento, mas ainda sem cura. É preciso também derrubar tabus e preconceitos sociais, com a ideia de que as pessoas são as culpadas pela própria situação de enfermidade. Nessa atitude preventiva, os profissionais de saúde têm papel fundamental.

Os profissionais de saúde, em especial os médicos, podem e devem abranger o tema em uma abordagem multidisciplinar, voltadas para o exercício da sexualidade saudável e em ambiente de confiança. O público acima dos 50 precisa se reconhecer como parte do processo, como iguais nas perspectivas apresentadas pela aids nesse segmento.



Mariângela Simão é diretora do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde. José Telles é coordenador da Área Técnica de Saúde do Idoso do Ministério da Saúde.

Idosos no Japão: o troféu encolheu


O país cuja população envelhece mais rapidamente no mundo, economiza na Hakusai-Shosho, festa anual que homenageia os centenários com taças de prata para saquê



Todo ano o governo japonês homenageia os cidadãos que completam 100 anos de idade. Em setembro, eles são convocados para o Hakusai-Shosho, a premiação dos longevos, na qual recebem um troféu – uma taça de prata para saquê. Em 1963, quando a festa foi realizada pela primeira vez, 153 cidadãos tornaram-se centenários. Neste ano, nada menos de 20 000 japoneses estão habilitados à homenagem. O governo está preocupado com os gastos que a celebração implicará e já anunciou que vai reduzir o tamanho da taça. Ela será feita com 63 gramas de prata, 31 a menos do que antes. 

A prosaica questão da taça de saquê mostra como o aumento do número de idosos se tornou uma questão central na sociedade japonesa. O Japão é o país cuja população envelhece a ritmo mais acelerado no mundo. Hoje, as pessoas com mais de 65 anos representam 23% da população e, em duas décadas, serão um terço. A expectativa de vida das mulheres, de 86 anos, é a maior do mundo. A dos homens, de 79 anos, fica atrás apenas da da Islândia e de Hong Kong. Há hoje 37 000 japoneses com 100 anos ou mais. 

A proporção de idosos no Japão dobrou entre 1980 e 2005. Na França, isso levou 115 anos para ocorrer, e, na Alemanha, quarenta anos. A explicação para isso, além do aumento da expectativa de vida, está na acentuada queda na taxa de fecundidade das japonesas. O número de filhos por mulher caiu de 2,05 no início dos anos 70 para 1,34 hoje. Quando a taxa de fecundidade de um país cai abaixo do patamar de 2,1, a população cresce em ritmo cada vez mais lento e, depois de duas ou três décadas, passa a diminuir de tamanho. 
Ao contrário do que costuma ocorrer nos países ocidentais, no Japão a maioria das mulheres para de trabalhar depois de ter o primeiro filho. Como elas estão cada vez mais inseridas no mercado de trabalho, acabam por adiar a maternidade. Junte-se a isso a estagnação econômica que o país vive há mais de uma década e o resultado são casamentos tardios e com menos crianças. 

Nas últimas três décadas, o número de japonesas solteiras entre 30 e 34 anos subiu de 7% para 32% e o de homens solteiros, de 14% para 47%.
Disse a VEJA o economista Michael Smitka, diretor do Centro de Estudos do Leste Asiático da Universidade Washington and Lee: "O governo japonês não tem feito muita coisa para aumentar a natalidade no país. Equilibrar trabalho e família continua difícil para as mulheres, uma lei de paridade entre os sexos no mercado de trabalho não teve resultados e não há creches suficientes". As festas de premiação dos longevos exigirão cada vez mais taças de prata.


Fonte: Revista Veja